terça-feira, 19 de abril de 2016

Reef Check avaliou saúde dos corais em Abrolhos para observar efeitos de pressões humanas e do El Niño


Servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e parceiros acabam de realizar expedição para avaliar a saúde dos recifes de coral no Parque Nacional de Abrolhos, na Bahia. A iniciativa faz parte do Programa de Monitoramento dos Recifes de Coral do Brasil, conhecido como “Reef Check Brasil”.

O programa vem sendo realizado desde outubro de 2015 pelo ICMBio, por meio do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Um dos protocolos-base da rede mundial de monitoramento de recifes de coral, o Reef Check é aplicado desde 1997 em várias partes do mundo. Além do monitoramento, tem o objetivo de promover a sensibilização das pessoas sobre a importância dos recifes de coral e da proteção da biodiversidade marinha.

Com o apoio de organismos nacionais e locais, o programa busca verificar como anda a saúde dos recifes de coral frente a pressões antrópicas (causadas pelo homem), como coleta e pesca de organismos, turismo e poluição, e pressões geradas pelas mudanças climáticas, como intensificação de eventos extremos, incluindo furacões, enchentes e anomalias da temperatura do mar durante anos de El Niño.

A partir do ano passado, com a parceria com a UFPE, o ICMBio retomou os trabalhos para fortalecimento do programa em nível nacional. As ações incluem a elaboração do termo de cooperação e a realização de novas expedições conjuntas durante este ano.

Treinamento da equipe

Na expedição ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos, que ocorreu em março, da qual participaram os servidores do ICMBio foi feito o monitoramento dos corais, o treinamento da equipe local e definidos os próximos passos para o fortalecimento do programa.

As expedições são realizadas com recursos do Projeto Áreas Marinhas e Costeiras Protegidas, também conhecido como GEF Mar, e apoio local de várias ONGs como Instituto Recifes Costeiros, SOS Mata Atlântica, Coral Vivo, Conservação Internacional, Prefeituras de Caravelas e Tamandaré, além de voluntários e pesquisadores de várias universidades.

Entre as universidades, estão a UFPE, coordenadora técnica do programa, por meio do Departamento de Oceanografia, a Universidade Federal da Paraíba, integrante da Rede Abrolhos, a Universidade Federal do Ceará/Labomar, o INCT Amb/Trop e o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Outros parceiros devem se associar ao projeto.

O protocolo Reef Check prevê o levantamento subaquático da abundância de peixes, invertebrados e indicadores de impactos e da cobertura do substrato. Foi concebido para permitir a aplicação, também, por membros da comunidade local e voluntários que atuam na proteção de recifes de coral.

Referência para UCs marinhas

O protocolo, que vem sendo adotado pelo ICMBio como referência para o monitoramento dos recifes de coral nas unidades de conservação (UCs) federais, tem forte caráter voluntário e participativo, o que, desde sua implantação, tem atraído pessoas e parceiros institucionais governamentais e não governamentais em todas suas áreas de atuação.

Segundo a professora Beatrice Padovani, do Departamento de Oceanografia da UFPE, "o ano de 2016, assim como foi em 2015, tem especial importância para o monitoramento dos recifes de coral de todo o mundo devido aos impactos do forte El Niño que vem sendo observados em várias partes do planeta”.

O El Niño é um fenômeno climático/oceanográfico global que provoca aquecimento anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico, com efeitos em outras partes do planeta, ocasionando, entre outras coisas, o fenômeno do branqueamento dos corais. O branqueamento pode causar a morte não só dos corais mas de outros organismos marinhos, afetando todo o ecossistema recifal.

Costa brasileira

Em fevereiro, o NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, na sigla em inglês), órgão do governo norte-americano para assuntos de meteorologia, oceanos, atmosfera e clima, emitiu os primeiros alertas de branqueamento para o Atlântico Sul. O fenômeno já tem sido constatado em vários pontos da costa brasileira. 

Equipes de pesquisadores de várias instituições, entre elas o ICMBio, vêm se revezando para monitorar os recifes de coral de áreas importantes como a Reserva Biológica do Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, em Pernambuco, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, entre Pernambuco e Alagoas, e Recife de Fora, na Bahia, por meio de expedições e pela presença constante de equipes locais.

FONTE: Comunicação ICMBio, disponível também aqui.

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